
Mais do que Kevin Costner com seu breguíssimo Robin Hood ao som de Bryan Adams, o ator de minha “meninice” foi Patrick Swayze, e, até hoje, se Dirty Dancing estiver passando na TV, eu provavelmente vou assistir. Pela 2643ésima vez, mais ou menos.
Não farei um post objetivo sobre a carreira do ator, não só porque certamente haverá vários outros aí pela internet, mas também porque para mim a mística de Patrick Swayze pertence a um tempo em que eu via muitos filmes e eles me encantavam, mas eu pouco conhecia carreiras de atores, diretores e roteiristas – era como um namorico de infância, em que a gente gosta sem reservas mas nem tenta saber porquê.
Apesar de alguns anos separarem Ghost, Dirty Dancing e Caçadores de Emoção, devo tê-los visto mais ou menos na mesma época. Talvez excetuando um pouco o primeiro, são filmes que me fazem pensar em finais de semana de verão, tardes de domingo “pós-piscina”, com sorvete e “Temperatura Máxima”. No alto de meus fúteis onze anos de idade (e toda menina é fútil nessa idade), eu não me conformava, por exemplo, com como aquele homem liiiindo podia se apaixonar por aquela moça nariguda, mas depois de meia-hora de filme, já estava acostumada e achava tudo (novamente) liiiiindo.
Se Dirty Dancing era o perfeito romance para fazer as pré-adolescentes suspirarem em frente a TV enquanto passavam hidratante na pele e penteavam incessantemente os cabelos que sempre saíam pingando do banho pós clube, Caçadores de Emoção funcionava como uma versão contemporânea e praiana de Jovem Demais Para Morrer. Bandidos gatinhos assaltavam bancos mas eram os mártires da vida livre, não-convencional. Quer conceito mais atraente para as incontáveis burguesinhas parecidades que estudavam em colégios caros e viviam protegidas em seus bairros de classe média? Em Caçadores de Emoção, Keanu Reeves era o mocinho correto, mas ninguém sintetizava em si mesmo a palavra cool tão bem quanto Patrick Swayze. O final? Por incrível que pareça, me arrancava mais lágrimas que Ghost.

Outro filme emblemático, talvez menos conhecido que os três citados acima, mas com elenco assutador, é o drama jovem Vidas Sem Rumo, de Francis Ford Coppola, em que Swayze é um irmão mais velho responsável por uma trupe que contava com ninguém menos que: Rob Lowe, Matt Dillon, Emilio Estevez, Ralph Macchio e Tom Cruise. A película é de 1983, ou seja, ninguém sabia direito quem eram esses caras! Foi um filme que vi já na minha adolescência, mais de uma década após seu lançamento, louca de curiosidade para ver no que teria dado essa salada mista galãs dos anos 80.
Quem não acompanhou muito a carreira de Patrick Swayze, ou é muito jovem para ter pego sua “fase de ouro”, pode se sentir tentado a me perguntar: ele era um bom ator? Não sei responder, porque em seus papéis mais marcantes, essa categorização não cabia. Não interessava quanto tinha de carga dramática, ou de versatilidade. Ele foi um ícone de uma época, de um público, e como parte deste público, fiquei realmente triste em saber que ele já não está entre nós, apesar de ter acompanhado com certa atenção as notas sobre sua doença e saber que a notícia sairia mais cedo ou mais tarde.
O que posso responder, é que em nenhum papel, nenhum filme, Swayze era chato. Sua presença sempre iluminava o set, basta ver a dignidade que empresta à drag queen Miss Vida de Para Wong Foo… . Ou a hilariante vulgaridade do amante de Kristin Scott Thomaz em De Bico Calado, onde já podemos notá-lo precocemente envelhecido. Mesmo após os cinquenta anos, ele continuou sabendo brincar, e a prova disso é o vilão caricato “Garth” de George e o Dragão – filminho meio besta (ok, bem besta), de baixo orçamento, mas, mesmo assim, divertido.

Talvez, com a distância dos anos de estrelato, muitos já tivessem quase se esquecido dele. Talvez a maioria das pessoas nunca o tenha levado muito a sério. Mas faço questão de arriscar uma previsão, aqui e a agora: você pode nunca ter pensado nisso, mas um dia vei ter saudade Patrick Swayze. Pode apostar que vai!