1. Permanente de cílios
Tive que ouvir num salão de cabeleireiro: “ai, da próxima vez que você vier aqui, marca uma permanente de cílios com nosso esteticista. Vai ficar lindo e você vai ficar um tempão sem usar o curvador”.
Mesmo? Não diga. Então… eu nunca usei um curvador de cílios. Nunquinha. Nunca achei que precisasse, os meus são longos o suficiente, e um bom rímel faz maravilhas. Além disso… permanente de cílios não dá, né? Acho que a oferta devia ser mais ou menos assim:
“Moça, que tal pagar a maior grana, ficar horas sentada nessa cadeirinha desconfortável para eu fazer bicudinho nos seus cílios e ainda passar um produto tóxico bem pertinho do seu olho? Na pior das hipóteses, você fica cega. Na melhor, irrita, dá coceira e arde. Você não pode perder essa promoção.”
Oras, vai plantar batatas!
2. Derreta seu troféu
A inspiração deve ter vindo do fatídico destino da Taça da Copa do Mundo de 1970, não é possível. Sabe, aquela que veio ao Brasil, foi roubada e, muito provavelmente, derretida? Então: http://finance.yahoo.com/news/Cash4Gold-Invites-Wimbledon-bw-490012910.html?x=0&.v=1
Cada uma! Tenha santa paciência. Sabe o que é pior? Aposto que o mercenário n°1 e a mercenária n°2 topam fazer o comercial.
3. Flyer do Cartum
Dancing NigTH. Yep. Escreveram Dancing Nigth, imprimiram e espalharam a pérola pela cidade inteira. Padaria Nico – flyer com erro do Cartum está lá. Restaurantes no Castelo, no Centro… idem. Para completar, olha a versão online: http://www.cartumfun.com.br/flyer/sexta.htm
O mais bonitinho é que dessa vez resolveram “economizar” e, ao invés de criar um por semana, como era o usual, mandaram imprimir este que vale para o mês inteiro.
Fail!
Andy Murray a vovozinha! Eu quero é Roddick para o Slam de setembro!
A final de Wimbledon…
… foi disputadíssima, imprevisível, longa e, depois do 6-6 no quinto set, chegou bem perto de torrar minha paciência. Não, não foi um jogo ruim. Pelo contrário. Roddick (parafraseando Peter Bodo), mandou mesas, cadeiras, um piano e uma cama de dossel pra cima do suíço. Bazucas. Tiros de canhão. Metralhadoras. Lasers. Mísseis scud. Bombas atômicas. E, mesmo assim, Roger “Jamanta não morreu” Federer conseguiu sacar 23 aces a mais que o americano e ainda quebrar o saque de Roddick na hora certa: uma única vez, para fechar a partida.
A qualidade estética ficou bem aquém da final do ano passado, mas, como muito bem apontado pelo blog Gototennis, se Wimbledon ‘08 foi Shakespeare, Wimbledon ‘09 foi “Duro de Matar”. Roddick teve a vantagem de 6-2 no tie-break do segundo set. Caso tivesse feito um pontinho a mais, a história teria sido outra. O suíço, porém, salvou set-point atrás de set-point, e em uma partida em que esteve praticamente impecável antes e depois do ponto fatídico, o americano errou.
Seguindo em um equilíbrio estarrecedor, Federer e Roddick pareciam estar jogando com o espelho. Foram muitos games fáceis de 40-0, 40-15, para ambos os lados, e uma aparente impossibilidade de um quebrar o outro. A lei “quem saca leva o game” e a expectativa de tie-breaks inevitáveis durou o segundo e o terceiro set inteiros, até ser deposta por – quem diria – Andy Roddick, que quebrou o saque do suíço pela segunda e última vez na partida, conquistando o quarto set por 6-3 e levando o jogo a um quinto.
Se os 50 aces representaram um “fio de Ariadne” para Federer, permitindo que se mantesse vivo em uma partida onde, nos poucos momentos em que o equilíbrio não era absoluto, o americano parecia estar conquistando o papel de protagonista, não podemos esquecer outros números impressionantes. Seria injusto rotular a final de ontem como “apenas uma disputa de sacadores”, já que no total foram impressionantes 181 winners (107 do suíço e 74 de Roddick) contra 71 erros não-forçados (38 de Federer e 33 do americano).
Foi um jogo e tanto, sem dúvida, mas por que então eu disse que chegou a torrar minha paciência? Simples: porque para uma partida na grama, onde tudo acontecia rápido demais, 4h16 e o recorde absoluto de games jogados em uma final de Grand Slam (77) são de deixar qualquer espectador exausto. Na minha casa, fui a única a ligar a TV às 10 em ponto e ficar ali no sofá até o fim. Vendo pancada atrás de pancada, e assistindo incrédula ao placar do último set chegar aos dois dígitos. Não fui caminhar no clube, não chequei e-mail, nada. Talvez por isso, quando estava uns 12-12 , eu não sabia se queria ver o Federer levantar o 15º caneco, se queria ver o Roddick finalmente vencer o suíço em uma final na grama sagrada ou se, simplesmente, eu queria que aquilo acabasse logo para eu conseguir almoçar. Intuí, porém, que aquilo só acabaria quando alguém piscasse.
Então, quando estava 15-14 para Federer, foi o gladiador americano quem piscou, deixando que o suíço abrisse 0-30. Roddick se recuperou e fez 40-30, Federer igualou. O americano teve vantagem em um erro do suíço, mas não aproveitou. Igualdade novamente. Então, com dois erros não-forçados de forehand, Roddick cede o match point e perde o sonhado título de Wimbledon para Federer. Foi a única vem em que o saque do americano foi quebrado em toda partida: Na pior hora possível.
Mais do que um jogão, resisti contra minha falta de paciência e me mantive o tempo todo em frente à TV porque estava decidida a ver novamente um evento histórico – parece que 2009 está repleto destes, não? Vi Roger Federer se tornar o maior vencedor de Grand Slams de todos os tempos, mas uma partezinha de mim, lá no íntimo, dizia: ok, Sr. Perfeito. Parabéns, você conseguiu e é merecido. Agora chega.
Andy Roddick para o US Open em setembro!!!
Um tweet do Jon Wertheim hoje levantou a lebre: Agora que chegou à semi, Federer tem a certeza matemática de voltar ao número 1?
Instintivamente, pensei que não. No entanto, lendo (porcamente) o artigo em italiano linkado pelo colunista americano, percebi que sim, faz todo sentido, DESDE que Nadal não jogue (e ganhe) Hamburgo. No caso de Murray ganhar Hamburgo, ele e Federer teriam o mesmo número de pontos, na liderança, em 03 de agosto. É razoável, porém, deduzir que nenhum deles morre de amores pela idéia de jogar no saibro europeu na segunda metade de julho, já que em agosto começa a série de torneios norte-americanos na quadra dura, que culminam no US Open.
Hein? Como assim? Que rolo é esse? Explica direito, por favor?
Ok, vamos lá. Em primeiro lugar é bom lembrar que, como boa parte das pessoas desse país com diploma de jornalista, sou uma negação com números. O que quer dizer que talvez eu esteja falando um monte de besteiras, mas aí me refiro a este artigo aqui e me isento da responsabilidade. Afinal, eu não comecei com esse papo, apenas tentei dar uma conferida.
O que nós sabemos
- Sabemos que, no último ranking publicado antes do início de Wimbledon, Rafael Nadal liderava com 12.735 pontos, seguido por Roger Federer (10.620) e Andy Murray (9.230).
- Sabemos também que, ao desistir de participar do torneio devido a uma tendinite no joelho, Nadal não defende os 2.000 pontos do ano passado e que, por isso, na próxima segunda-feira amanhecerá com 10.735.
- Isso significa a possibilidade de três cenários diferentes. a) Federer vence Wimbledon e se torna n.1 já na segunda feira. b) Murray vence Wimbledon e Federer cai para o n.3. c) Nem o suíço nem o escocês vencem, e o ranking fica como está.
- Também sabemos que, em 20 de julho, expiram os 0 pontos de um torneio de Murray do ano passado, fazendo com que ele some mais 250 pontos.
O que não tínhamos notado…
…é que, devido às Olimpíadas, ano passado foi atípico, e por isso dois Masters foram antecipados para o mês de julho. Assim, em 27 de julho, caem 1000 pontos de Nadal, 450 pontos de Murray e somente 10 pontos de Federer relativos ao Canadá, e em 3 de agosto é a vez de Murray perder 1000, Nadal perder 450 e Federer 150, relativos a Cincinnati. Neste período, que este ano será magro, a única possibilidade de qualquer um deles somar pontos é jogando o ATP 500 de Hamburgo.
Se ignorarmos o torneio alemão, temos os seguintes cenários possíveis:
1 – Murray vence Wimbledon e Federer cai na semifinal
O escocês, assim, assumiria o #2 na próxima segunda-feira e o ranking ficaria assim:
- de 06/07 a 19/07 - Nadal (10.735), Murray (10.730), Federer (9.940)
- de 20/07 a 26/07 – Murray (10.980), Nadal (10.735), Federer (9.940)
- de 27/07 a 02/08 – Murray (10.530), Federer (9.930), Nadal (9.735)
- Em 03/08 – Federer (9.780), Murray (9.530), Nadal (9.285)*
* Se o Nadal jogasse e ganhasse Hamburgo, ele lideraria com 5 ptos acima de Federer. Murray, que só somaria 250 com uma vitória em Hamburgo, já que teria de descartar um torneio de 250 pontos para contá-lo, apenas empataria.
2 – Federer vence
O suíço sobe ao #1 já na segunda-feira, não importando se Murray cai na semi ou se é vice, nem fazendo diferença os 250 ptos flutuantes do escocês. Nadal ficaria com o #2 em todos os casos.
3 – Murray vence e Federer é vice
- de 06/07 a 19/07 - Nadal (10.735), Murray (10.730), Federer (10.420)
- de 20/07 a 26/07 – Murray (10.980), Nadal (10.735), Federer (10.420)
- de 27/07 a 02/08 – Murray (10.530), Federer (10.410), Nadal (9.735)
- Em 03/08 – Federer (10.260), Murray (9.530), Nadal (9.285)*
*Federer lidera independentemente de Hamburgo
4 – Murray e Federer caem nas semifinais
- de 06/07 a 19/07 - Nadal (10.735), Federer (9.940), Murray (9.450)
- de 20/07 a 26/07 - Nadal (10.735), Federer (9.940), Murray (9.700)
- de 27/07 a 02/08 – Federer (9.930), Nadal (9.735)*, Murray (9.250)
- Em 03/08 – Federer (9.780), Nadal (9.285)*, Murray (8.250)
* Nadal manteria o #1 jogando e ganhando Hamburgo.
Moral da história: Em 03/08, Federer estará à frente do escocês de qualquer forma. Ou, no máximo, se Murray inventar de jogar e vencer Hamburgo, estarão empatados na primeira posição (existe isso?). Nadal, por seu lado, só será o #1 do mundo no início de agosto dependendo dos resultados dos outros dois em Wimbledon E caso jogue e vença Hamburgo. Espero sinceramente que o espanhol não pense muito nisso e se concentre na recuperação dos joelhos. Melhor perder a posição temporariamente do que comprometer a carreira.
Tudo isso, vale lembrar, se eu fiz as contas direito e se não recebi informação errada.
Hoje é o aniversário do meu irmãozinho, que de “inho” não tem nada, então, corrigindo:
Hoje meu irmãozão de mais de 1m80 completa 25 anos, e uma vez que ele é um cara super cool, inteligente e não convencional no melhor sentido possível, tive que colocar uma música de aniversário que…
a) não fosse o convencional “parabéns a você”,
b) que fosse super bacana,
c) e que tivesse sido composta por um quarteto pra lá de inteligente.
Marcelo, desejo que sua vida seja repleta de felicidade, e saiba (acho que você sabe) que estou morrendo de saudade, mas que também tenho muito orgulho de tudo o que você tem conquistado, de como você encara a vida e de como vai atrás daquilo que quer sem medo. Apesar de sentir muito a sua falta, acho que esses quase dois anos aí na Alemanha deixaram você ainda mais forte, e eu fico aqui maravilhada assistindo, ainda que à distância, você se tornar cada vez mais essa pessoa tão especial e completa.
Feliz Aniversário!
Naquele inverno urbano, sentia que o sol estava à meia potência, como uma lâmpada 220V que foi ligada a um soquete 110V. As manhãs começavam sombreadas, e a névoa recusava-se a deixar que a madrugada úmida partisse, enchendo de gotas geladas ruas, jardins e portões.
Ao tocar a porta do carro, sentia seus dedos endurecerem e os ossos esfriarem, apesar das malhas quentes que cobriam sua pele. A temperatura fazia com que se encolhesse e dirigisse tensa; depois, fazia com que amaldiçoasse o vento encanado no prédio onde trabalhava.
E, no entanto, não estava tão frio. Assim que a manhã vencia a última resistência da madrugada, a neblina branca se dissipava e o céu brilhava num azul profundo. A claridade do dia finalmente iluminava suas janelas, mas embora ela pudesse vê-la, não consegia senti-la.
Acostumara-se com o desconforto hipotérmico, como se seu corpo fosse incapaz de reter calor e se aquecer. Sua pele se franzia em rugas precoces, e suas mãos pareciam feitas de gelo. No escritório, tudo era branco. Cinza. Metálico. Não havia cores onde pudesse buscar conforto, e mesmo o café instantâneo queimava sua boca mas não trazia alento.
Naquele inverno urbano, sonhava com uma villa na montanha. Uma mesa de chá posta, um livro e um cobertor. A rosca ainda quente, geléia de amora e uma xícara de Earl Grey. O cheiro de pinheiros e um termômetro lá fora marcando zero graus.
Quem sabe, assim, o frio lhe aquecesse.
Música de hoje. Por nenhuma razão especial, exceto que eu gosto dela.
Not Even Jail – Interpol
I’ll lay down my glasses
I’ll lay down in houses
If things come alive
I’ll subtract pain by ounces
Yeah, I will start painting houses
If things come alive
I promise to commit no acts of violence
Either physical or otherwise
If things come alive
I’ll say it now
I’ll say it now
Say it now
Oh I’ll say it now
Cause I want it now
When personality is scar tissue
It travels south with disuse
I’m subtle like a lion’s cage
Such a cautious display
Remember take hold of your time here
Give some meanings to the means
To your end
Not even jail
We marshal in the days of longing
We tremble like anyones children
And wait to watch the fire
And erring on the side of caution
Betraying all the symptoms
But girl you shake it right
I will bounce you on the lap of silence
We will free love to the beats of science
And girl you shake it right
I’ll say it now
Oh but all this to learn and your hair’s so pretty
Can’t you feel all the warmth of my sincerity
You make motion when you cry
You’re making peoples lives feel less private
Don’t take time away
You make motion when you cry
We all hold hands
Can we all hold hands
When we make new friends
I pretend like no one else
To try to control myself
I’m subtle like a lion’s cage
Such a cautious display
Remember take hold of your time here
Give some meanings to the means
To your end
Not even jail
7 – Dinara Safina, 0-3 em finais de Grand Slam.
A irmãzinha igualmente descabeceada do malucão Marat Safin provou mais uma vez que não tem estrutura emocional para encarar o rojão na hora H. Atual #1 do ranking feminino, Dinara perdeu para a também russa e igualmente pessoa-fofa-e-super-do-bem Svetlana Kuznetsova em um jogo que eu só não me arrependo de ter gasto um tempo da minha vida e do meu sábado assistindo porque… bom, porque foi curto. Kuznetsova não jogou mal. Mas também não jogou tãaaao bem assim. De qualquer maneira, teve mais cabeça, mais criatividade, e levou a melhor nas jogadas mais belas (que não foram muitas) da partida. Já Safina, bem, Safina é uma graça, é talentosa, tem uma carinha de criança que todos queremos adotar e, além de tudo, é irmã do Marat, o que faz com que seja amada por tabela. Infelizmente, não sei se Dinara consertará o emocional a tempo de construir uma carreira de fato grandiosa, que ela mereceria pelo esforço que há muito tempo vem mostrando. Tomara que sim.
8 - Kneel Before Sod!
Philipp Kohlschreiber quem? Ah, sim, ele eliminou o “segundo favorito ao título” Novak Djokovic na terceira rodada. No sábado 30 de maio, na grande zebra que duraria exatamente… UMA NOITE! Porque na manhã seguinte, Robin Soderling jogou muito, colocou Nadal para correr e me deixou sem a menor vontade de almoçar ao vê-lo vencer o tie-break do quarto set e mandar o espanhol tetracampeão precocemente de volta para Mallorca. Fui comer no clube e vi minha cara de enterro refletida em algumas mesas do restaurante: mesas em que sobre uma das cadeiras repousavam raqueteiras…
Isso, é claro, porque achávamos que Soderling era um general maligno a serviço do diabólico IceBorg, que ele havia sido colocado lá apenas para nos privar de uma possível final Federer vs. Nadal e que, seguindo a eliminação do espanhol, cairia no próximo jogo com uma atuaçãozinha pífia. Tsc, tsc… como estávamos errados. Perante o poderoso Sod, ajoelharam-se: David Ferrer, Rafael Nadal, Nikolai Davydenko e Fernando Gonzalez. O último, numa partida show de 5 sets em que os erros não-forçados foram diminutos e sobraram winners.
Soderling mereceu estar na final, e quando chegou lá, demorou para encontrar seu jogo, o que foi fatal. Era a primeira vez em sua carreira que o sueco de 24 anos avançava além da terceira rodada de um Grand Slam, a torcida não estava nem um pouco a fim de vê-lo estragar a festinha preparada para Federer e seu jogo de ataque não foi rápido o suficiente para desestabilizar um adversário tão experiente e cheio de recursos. Por isso afirmei que, apesar dos 3×0 rápidos, Robin Soderling não chegou a amarelar na final, não exatamente. A quadra não era sua favorita, estava bem molhada e seu jogo, que por vezes se mostrou belíssimo, não tem o estilo certo para machucar o suíço. Além disso, o primeiro saque de Federer entrou. E como entrou. Aí… aí não dá mesmo, né?
Aprendi, também, mais algumas coisinhas sobre Soderling: em primeiro lugar, ele não é o anticristo e sabe ser super simpático, além de engraçado e correto. Deu ótimas entrevistas, seu comportamento durante a invasão do doido Jimmy Jump (mais a seguir) foi elegantíssimo e seu discurso na premiação rendeu boas risadas. “I was yoking with Magnus…” foi ótimo.
9 - O Ministério da Saúde Adverte, Roger Federer pode Causar Danos à Sua Saúde
De sete, nada menos que quatro partidas do suíço foram de deixar fãs, admiradores e, principalmente, a santa esposa Mirka, grávida de sete meses, à beira de um colapso nervoso. Contra Mathieu e Acasuso, o pânico durou menos, mas ainda assim, foi bem assustador. Contra Haas, Federer repetiu o que já tinha aprontado com Berdych no Australian Open, deixando o adversário abrir dois sets a zero, se complicando no terceiro para só aí conseguir se impor. Aí, com mais a característica amarelada do Haas…
Agora, sobre o jogo contra Del Potro, gostaria de dividir uma anedota pessoal com os leitores: Na última sexta-feira, saí mais cedo do trabalho para me arrumar para um casamento – cuja recepção, ironicamente, foi no Tênis Clube. Saí do escritório com um set para cada. Enquanto separava vestido, sapatos, sobretudo, bolsa, brincos, convite e maquiagem, vi o jovem argentino levar o terceiro set com muita propriedade. Resolvi que não queria ver mais nada, então entrei no banho antes do planejado (queria chegar ao cabeleireiro de cabelo molhado para ele não lavar com aqueles malditos produtos de salão). Quando voltei para a TV, parecia que Federer venceria o quarto set. Daí para frente, entre pegar chave e documentos do carro, procurar o celular, decidir se levaria talão de cheque ou só cartão para o cabeleireiro e, obviamente, esmagar todas as almofadas da sala em acessos alternados de fúria e tensão, sobrevivi com a TV ligada até o fim do jogo, que acabou exatamente na hora-limite que eu havia me imposto para ir ao salão – queria chegar uns 10 minutos antes da hora marcada com a manicure porque o casamento era muito cedo.
Acho que meus batimentos cardíacos só voltaram ao normal por poucas horas, e entraram em looping de novo, porque é obvio que, após a loucura do jogo, voltei para o “planeta-vida-real” e também fiquei totalmente emocionada ao ver um amigo queridíssimo no altar, com uma noiva fantástica e a certeza de que serão muito felizes.
Digressão pessoal à parte e voltando ao assunto do post, admito que estava com a pulga atrás da orelha em relação à final de ontem. Mighty Sod vinha arrasando e Federer já tinha gasto toda a sorte possível nas partidas anteriores. O facílimo primeiro set pareceu um perigo, afinal, todos conhecemos as “ausências” do suíço quando as coisas ficam fáceis demais. Além de tudo, Borg estava lá para torcer para o sueco, e Borg é evil. Então, do nada, aparece um doido vestido de vermelho, com a bandeira do Barcelona das costas, que invade a quadra, dá um olé nos seguranças e tenta colocar um chapéu/boné esquisito na cabeça do suíço.
O fato de coisas assim ainda acontecerem nas quadras de tênis, anos depois da facada que quase acabou com a carreira de Monica Selles é assustador. Eu gelei quando vi Federer meio curvado após a abordagem do maluco, foi só quando os seguranças já tinham tirado o tal Jimmy Jump da quadra, e Soderling sinalizou perguntando se estava tudo ok e se podia sacar, que eu percebi que não tinha acontecido nada demais. O suíço ficou ainda meio fora do ar naquele game, mas em seguida sacou bem e tudo voltou ao normal.
Um torneio cheio de estranhezas tinha mesmo que reservar alguma bizarrice para a final.
No fim, o jogo foi muito mais curto e muito mais fácil do que eu imaginava. A chuvinha fina não interrompeu a partida em nenhum momento, e os poucos sobressaltos do terceiro set foram dois break points em games diferentes que Soderling não conseguiu converter. No final, o sueco devolveu um saque na rede a 5-4 Ad. Federer, e o suíço caiu de joelhos, soltando o choro de alívio que, percebi ao prestar atenção no reprise, já tinha começado antes mesmo de sacar.
E assim Roger Federer igualou os 14 Grand Slams de Pete Sampras, venceu Roland Garros pela 1a vez (Sampras não tem este torneio no currículo) e assim fechou o career slam, finalmente com pelo menos um troféu para cada tipo de piso. Ao chegar as semis, tinha completado 20 semifinais de Grand Slam em seqüência. Ao chegar à final, completou 19 finais de Grand Slam na carreira, sendo que suas 5 derrotas em brigas pelo título foram todas para um tenista apenas, o também “monstro” (no ótimo sentido) Rafael Nadal.
Pouquinha coisa, né?
Mini disclaimer: Esta retrsopectiva É sobre o Grand Slam #14 de Roger Federer. Mas este post NÃO É SÓ sobre o Grand Slam #14 de Federer. Um grande torneio possui uma série de personagens interessantes, e eu não conseguiria não falar de alguns deles. Por isso, o texto será looongo, e a cada primeira aparição de algum nome no post, este nome estará em negrito.
1 – Vésperas e Expectativas.
Hoje, não é absurdo dizer que Roland Garros começou em Madri. Estranhamente, logo após a final do Masters 1000 vencida por Roger Federer em 2 sets a zero sobre Rafael Nadal, ERA absurdo dizer que RG já começara. O piso de Madri era mais rápido. Nadal estava um pouco cansado mas teria tempo de se recompor até Roland Garros. Rebobinando a fita das últimas semanas, o que eu vi na final de Madri imediatamente foi: Nadal já tinha ganho 3 Masters 1000 em 2009, tinha jogado uma temporada de saibro exaustiva e sabia que, em geral, seus jogos com Federer costumavam ser um pé no saco (no bom sentido), indo freqüentemente ao número máximo de sets. Imaginava que, após ter perdido o primeiro set, passou um balãozinho na cabeça do jovem espanhol dizendo “Ah, fala sério, eu não preciso disso. O cara quer tanto ganhar, então ganha de uma vez”.
Hoje, levanto outros fatores e acredito menos que, em determinado momento, Nadal tenha simplesmente decidido chutar o balde: a) acho possível o físico de Nadal começou a sentir sua “brilhante” decisão de jogar Rotterdam e Barcelona. Que jogasse em casa e pulasse o ATP holandês. b) Nadal repetiu inúmeras vezes que a derrota em Madri não significava nada. Será que não estava tentando convencer a si mesmo de que não estava tão cansado assim, embora estivesse? c) Nada é 100% garantido. Nem Federer na grama, nem Nadal no saibro. d) Federer precisou de muita autoconfiança em RG para sair de vários buracos em que se meteu durante sua trajetória. Federer reconquistou parte dessa autoconfiança do passado ao vencer seu maior algoz, na superfície favorita do espanhol, em sets diretos.
O novíssimo e esquisitinho Master 100 da caixa mágica, portanto, integrou as vésperas do Grand Slam francês, e foi um pouco parte dele. Além de marcar o primeiro título de Federer em 2009, Madri agitou o sorteio das chaver criando o “fator-Novak-Djokovic“: o sérvio teria cansado Nadal, deixando-o prontinho para o “abate” e, portanto, seria o adversário que espanhol e suíço temeriam enfrentar. Veio o sorteio, e Nole caiu na chave de Federer, estabelecendo a crença comum de que o suíço provavelmente não passaria da semifinal. Acreditei piamente nessa máxima recém-construída, esquecendo outra máxima recorrente do tênis recente: se existe uma maneira de Djokovic se sabotar, pode esperar que ele a encontra.
2 – Andy Roddick mostrando autoridade no saibro?
Quem acompanha o divertido twitter do americano desconfia, como eu, que ele foi a Paris a passeio. Pérolas como “ainda não vi Anjos e Demônios”, “Finalmente vi Anjos e Demônios”, “Quero visitar as catacumbas”, “Fui às catacumbas, mas a venda de ingressos estava fechada”, “Finalmente visitei as catacumbas” mostram que Roddick estava se divertindo à beça, e cada partida ganha significava mais tempo para curtir Paris. O americano bateu um bolão e arrasou nos primeiros três jogos, caindo somente nas oitavas de final para o francês Gael Monfils, num jogo estranho, semi-noturno e curto. A impressão que tive foi que Roddick deu seu showzinho na primeira semana, calou muita gente que subestima seu tênis mas que, quando o adversário foi mais difícil, a torcida estava contra e a luz natural já ia embora, o americano se deu por satisfeito e encenou um “ae, galera, fui!” tão esquisito quanto sua boa performance nas partidas anteriores.
3 – Les Jaunes.
De alguma forma, amarelaram contra Federer: Jose Acasuso 1×3 (mas também, Acasuso amarela até na temporada de saibro latinoamericana), Paul-Henri Mathieu 1×3 (vai culpar o cara por ficar confuso quando a torcida esquece de torcer para o local e aplaude o suíço de pé?), Tommy Haas 2×3 (oh, novidade, Haas é o mesmo cara que desistiu com dores estomacais da primeira partida entre ambos, quando bem moleques, e recentemente desistiu mais duas vezes – pelo menos essa o alemão jogou até o último ponto), Gael Monfils 0×3 (comemorou a vitória contra Roddick se empanturrando de McDonald’s – precisou tomar Engov durante o jogo contra Federer).
Não amarelou: Juan Martin Del Potro esteve na frente, lutou até o fim, sentiu a pressão e começou a errar, mas não dá para negar o instinto guerreiro do argentino. O gás do jovem de 20 anos acabou antes da hora, e Federer aproveitou, mas Del Potro merece crédito pela luta e pela entrevista pós-jogo. Contente com a semifinal uma pinóia, o garoto fez questão de afirmar que estava super decepcionado porque podia ter chegado à final. Boa, Delpo!
Não amarelou, não exatamente, ao menos: Robin Soderling. Não acho que o sueco foi acometido do mesmo mal que os quatro tenistas citados no primeiro parágrafo deste item, mas mais sobre o finalista-surpresa depois.
O mérito, é claro, é todo do suíço, por exercer este poder sobre os adversários e, também, por transformar oportunidades em realidade. O que chamei de amareladas, foram perdas de foco e “momentos de pânico” dos tenistas acima, mas elas só se concretizaram porque Federer soube aproveitar cada uma, descobrindo trilhas e transformando-as em avenidas por onde passou como um trator.
4 – Os rapazes que fecham o top 4.
Andy Murray, apesar de sofrer um pouco na terre battue, tomou o #3 de Novak Djokovic justamente neste piso. Não que o escocês tenha feito uma temporada de saibro melhor que o sérvio, ele apenas teve um período bem pior em 2008, resultando num ganho de pontos maior em relação ao ano passado. Murray começa a defender muito mais a partir de Wimbledon, onde chegou às quartas de final e onde Djokovic teve uma eliminação precoce, cortesia do imprevisível-maluco-beleza Marat Safin. Neste Roland Garros, porém, Murray avançou duas rodadas a mais que Djokovic, e vamos combinar que ninguém esperava muito mais do escocês, ao contrário do sérvio, visto por muitos como potencial finalista.
5 – I love Serena Williams. No, really, I do.
Serena Williams é sempre O entretenimento. Primeiro a moça declara, em custíssima entrevista ao Financial Times (hein???) que nem ela sabe como, anos atrás, conquistou seu único título de simples em RG. Depois, eis que surge a moça em quadra, com um vestido em que o cinza escuro afina a cintura e o laranja fosforescente “ai meus olhos” aumenta e torna ainda mais desproporcional sua famosa derrièrre. Aí vem a briga em quadra com a espanhola Maria Jose Martinez Sanchez, uma tremenda cara-de-pau que mentiu de maneira deslavada ao dizer que a bola não havia tocado seu braço e, assim, não dando o ponto que era de direito da americana. Finalmente, Sereníssima perde de Svetlana Kuznetsova (que acabaria por levar o título), faz pouco caso do talento da adversária e levaria, se existisse, o “Framboesa de Pior Perdedora do torneio”. Ah, Serena, nunca aposente. A WTA não seria a mesma sem suas ótimas/péssimas entrevistas.
6 – A primeira semana. Lembra dela?
Uma das melhors frases que vi nos blogs por aí afora foi: ”até parece que Roland Garros durou um mês”. Fato. Você se lembra da primeira semana? Então deixa eu refrescar sua memória:
a) Tinha uma penca de brasileiros na chave. Está lembrado? Franco Ferreiro ganhou os primeiros dois sets do espanhol Feliciano Lopez, no que eu chamo de “a batalha dos belos olhos claros”. Thomaz Bellucci abandonou a partida contra o argentino Martin Vassallo Arguello com um set para cada, e 5 a 5 no terceiro set. Thiago Alves fez uma aparição e Marcos Daniel ganhou fãs francesas que foram assitir a 1a rodada de Rafael Nadal e acabaram achando o brasileiro um gato. Além disso, também tivemos os duplistas Marcelo Melo, André Sá e Bruno Soares. lembrando que Melo chegou até a final de duplas mistas.
b) Fabrice Santoro e Marat Safin jogaram o último Roland Garros de suas carreiras. No Santoro, eu acredito. Em Safin… er… sei lá.
c) Jelena Jankovic estava batento um bolão. Até perder. Maria Sharapova, após meses de ausência devido a uma séria contusão no ombro, também! E o exclusivo brinco da Tiffany’s que Maria usou no torneio, também bateu um bolão. Lindo.
d) A França entrou com artilharia pesada, e esperava-se destaque razoável para as promessas locais, já que algumas tinham chances de ir bem. Tinha Tsonga, Simon, Chardy, Gicquel, Mathieu, Santoro… Resultado? O último mosqueteiro foi Gael Monfils, que caiu nas quartas-de-final para Roger Federer. Ou para o lanche do McDonald’s, vai saber.
e) Até o domingo do meio, ninguém dava pelotas para Robin Soderling. Sim, ele havia eliminado David Ferrer, sem dúvida. Mas Ferrer é de lua, mesmo, né?
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Melhor não tirar Uncle Toni do sério...
Como eu já esperava, Toni Nadal desceu a lenha na torcida parisiense, chamando-os de estúpidos e o escambau por terem demonstrado tanto apoio à Soderling durante a inédita derrota de Rafael Nadal em Roland Garros no último domingo. Na verdade, ninguém liga para Soderling. Ninguém está nem aí se Soderling ganha ou perde, ou seja, o que faz uma Philippe Chatrier lotada cantar Rob-in, Rob-in não é exatamente o belo par de olhos azuis da versão sueca do Gary Oldman.
Fato 1: Torcidas tendem a torcer para o azarão, então nada mais natural que Robin Soderling ter grande apoio, certo? Errado. Se este fosse o caso, a mesma Philippe Chatrier que cantou Rob-in não teria entoado Ro-ger, Ro-ger com tanta empolgação nas partidas contra José Acasuso (#45 do mundo) e Tommy Haas (#63).
Fato 2: A torcida quer ver um francês levantar a taça, e com Nadal na final, nem Tsonga – que já caiu, aliás - nem Monfils teriam muita chance, não é mesmo? De fato, não teriam. Quanto ao apoio incondicional aos franceses, novamente o fator Roger Federer complica a lógica. Na partida contra Paul-Henri Mathieu, os torcedores, confusos, pareciam esquecer que era para torcer para o francês, e não para o suíço. Resultado: ambos eram aplaudidos e o suíço saiu ovacionado ao final da vitória por 3-1
Fato 3: A torcida francesa quer ver Federer finalmente levar a Coupe des Mousquetaires para casa, então? Er… eu quero, a Dna. Ruth Cleto quer, o Pete Sampras quer e a torcida do Corinthians pode até não saber disso, mas também quer. Mesmo assim, público é uma fórmula volátil, e não funciona racionalmente partida à partida. Se Monfils trabalhar seu mojo usual, não vai ter torcedor parisiense em Roland Garros que ouse gritar Allez Roger amanhã.
No fim das contas, não adianta. O comportamento de mais de 10 mil pessoas não é algo assim tão fácil de explicar. Simpatia pessoal conta muito, e Rafael Nadal, apesar de querido pelo grande público em todos os outros lugares do planeta, ainda não conseguiu fazer com que “o santo batesse” em Paris. Talvez porque, nos últimos sete anos, os espanhóis tiveram seis títulos na França, quatro deles do rapaz. Talvez porque, destes 4, três foram em cima de Federer, e todos os que nadam, nadam e morrem na praia acabam ganhando alguma simpatia. Ou, ainda, talvez porque Nadal tenha se retirado de uma partida contra Davydenko no Masters de Paris no final do ano passado com dores no joelho – o que seria uma razão bizarríssima, já que Federer nem entrara em quadra contra Blake no mesmo dia, alegando dores nas costas.
Acredito que, qualquer que seja o motivo - e não sei se ele importa muito – a torcida em Roland Garros acha divertido torrar a paciência do espanhol, e é aí que entra o técnico e tio Toni Nadal, tomando para si a mesma função que tinha Sérgio Motta no governo FHC: chamar para si a responsabilidade de meter a boca no trombone para que o ator principal não precise se queimar com a imprensa.
Pelo menos, é esta a idéia que tenho do Tio Toni, personagem já icônico do tênis masculino. É meio técnico-Felipão, meio escudeiro-Sergião. Um homem com uma visão de jogo privilegiadíssima e uma filosofia igualmente marcante. Acho, por isso, que ele está certíssimo em dar a cara a tapa e dizer o que pensa. Ele vai saber lidar com as conseqüências. Disso, eu não tenho a menor dúvida.
Eu ia escrever sobre as zebras do fim de semana. Estava só esperando a da segunda-feira, mas pelo jeito Roger “vai ser sortudo assim lá PQP” Federer vai sacar para o jogo agora. De qualquer forma, dane-se.
O acidente da Air France me deixou muito mal, e preciso deixar registradas as minhas condolências para as famílias das vítimas. Em geral, tais eventos não possuem culpados, mas sempre me deixam com uma raiva irracional, acredito que por ser totalmente randômico, e por tirar vidas que muitas vezes estão justamente realizando um sonho.
Este texto pode ser piegas, pode ser tonto, mas eu precisava colocar para fora. Talvez porque eu devo viajar em breve e estou com medo. Nunca tive medo de avião, mas coisas demais têm acontecido. Talvez porque tudo o que envolve crianças – e havia crianças à bordo – mexe muito comigo. Enfim… estou mal com isso, e acho que quando lemos notícias como essas, todos nós morremos um pouquinho, mesmo que por alguns segundos.
E Roger fecha o quinto set em 6-2. Que bom para ele. Talvez daqui umas horas eu comemore. Agora… I couldn’t care less.
